quarta-feira, outubro 28, 2015

Resiliência

No próximo dia 22 de novembro, este site completará 15 anos. Seriam 16 na verdade, se contássemos o tempo do "Geocities", mas vamos falar de "Lula.Pro" oficial. 

E aí, você que não me conhece, entra aqui e encontra essas parcas postagens e pensa "15 anos e só tem isso"? Esta é uma pergunta muito válida, pois em tempos de internet, não interessa muito tudo o que você fez, e sim o que você está fazendo agora. E eu estou fazendo muita coisa agora. Mas infelizmente, não é por aqui. 

Eu já contei neste post muta coisa do que aconteceu neste site / blog, e não vou repetir. O plano de "coisas novas" está sempre na mesa, mas também não gosto de fazer promessas incertas (apesar de muita gente achar que sou o ex-Presidente, diferente dele, não costumo prometer o que não posso cumprir. Mas planejar internamente, isso eu planejo. 

Enfim, é possível que eu faça uma série de coisas "comemorativas" para essa data, e o faça apenas por mim, uma vez que isso aqui só durou 15 anos por conta disso - faço por mim, por puro prazer pessoal. Parece prepotente eu sei, mas é a verdade. 

Agora, se você é "velho" de Lula.Pro, sei que tem 3 coisas que você realmente gostaria de ver novamente: , "A Saga de Steve Steven Severevitz", "A Semana do Presidente" e o "Santo Amaro Connection". Estou pensando sobre, pois é difícil reunir todo esse material. Mas quem sabe. 

Vai me procurando no Facebook ou no Twitter, onde costumo ser bem mais ativo. Recentemente comecei também a escrever no Medium, mas ainda estou inconstante por lá. E quem sabe algo aconteça. Me encha o saco pra isso. 

Enquanto isso, continue usando a hashtag #VoltaSantoAmaro


terça-feira, maio 05, 2015

Boca maldita

(Texto publicado originalmente em setembro de 2012, desenterrado junto com outros que irei mandando por aqui.) 


            Era o terceiro atraso de relatório no mês, e eu sabia que o Marcos colocaria novamente a culpa em mim. Faz isso pelas minhas costas, procurando o chefe antes de qualquer um. O que é realmente injusto é eu fazer minha parte (em tempo hábil), entregar para ele (ainda em tempo hábil) – que é meu superior – e ele atrasar a dele. Naquele dia não seria diferente.

Antes das 15:00 o vi levantar e ir até a sala do chefe, com minha parte do relatório em mãos. Seguramente, iria dizer que é a dele, e que eu, estagiário, não teria feito minha parte. “Sabe como são os estagiários”. Maldito. “Que morra de lizipela no cu.” – sussurrei baixinho.

            Dia seguinte Marcos nem apareceu. Deve ter ganhado um dia de folga como recompensa por entregar a parte “dele” no relatório em tempo, e agora o estagiário iria ficar até mais tarde pra terminar a parte realmente dele – como já aconteceu antes. Folgado.

O telefone tocou. Era o chefe, me chamando na sala dele. Fodeu. Fodeu fodido. Demissão, na certa. Três relatórios seguidos, o estagiário não teria como sobreviver.

- Olha, nem sei como te falar isso, mas... – O chefe estava hesitante, o que era estranho, pois não era conhecido por ter enorme coração. Quanto mais ele demorava, menos meu preparo psicológico se mantinha. Eu só pensava se meu currículo estava atualizado ou não. E então, finalmente, o chefe cortou o rodeio:

- O Marcos faleceu ontem.

            Gelei. Não gostava do cara, mas não desejava sua morte. Acho. Aliás, não desejo a morte de ninguém.

- Como? – Perguntei perplexo. – Como assim? Morreu? 
- Lizipela. No ânus, rapaz. No ânus. Quem poderia imaginar uma coisa dessas? No ânus!

            Pareceu que o chefe estava mais constrangido em falar “ânus” do que abalado com a morte do Marcos. Eu estava sem sangue correndo no corpo. Gelado como um freezer. Eu desejei a morte dele, mas digamos que foi “de brincadeira”. Falei por falar. Todo mundo faz isso. Nem sei o que é “lizipela”, mas não pensei que alguém poderia morrer disso. Ainda mais no cu.

- Eu sei que era você quem fazia os relatórios do Marcos. Então, você fica no lugar dele. Depois que isso passar, procuramos alguém pra te ajudar. Passa no RH depois, fala com a Ruth e acerta sua carteira de trabalho.

                Promovido. Por uma lizipela no cu. E pela morte de uma pessoa, claro. Mas é impossível ter relação com o que eu falei. Impossível. Isso não existe. “Mau olhado”, essas coisas. Não existe, foi uma coincidência infeliz, só pode. Mas que impressiona, impressiona.
                Bem, vida que segue. Vamos aos meus problemas atuais: eu odeio a Ruth. Mulher escrota, nem olha na sua cara quando fala com você. Mas vai ter que me aturar, ah vai. Sou gerente agora, tá pensando o que? Se me olhar torto agora, vai ver só.

- E o salário, foi pra quanto? – Perguntei. Ela nem me olhou pra mim enquanto entregava minha carteira de trabalho.
- É o mesmo salário. – Resmungou. E eu acho que vi um sorriso sarcástico no canto da boca dela. - Se não está feliz, vai reclamar com o chefe. – Concluiu.

                Virou as costas e foi embora. Velha escrota. “Espero que morra engasgada com uma rola” – pensei, enquanto me dirigia para minha nova sala.
                
                 Após o almoço, uma confusão no andar. Todos abarrotados na porta da sala de Xerox. Tentei me espremer no “petit comitê” de fofoqueiros, mas não dava pra coisa alguma além da ponta de uma bota que acreditei ser do bombeiro.

- Ô Juca, o que aconteceu? – Juca já estava com aquela cara de “tia tricoteira”, só esperando alguém perguntar.
- Você não imagina, rapaz. Sabe a Ruth do RH? Estava de caso com o Rubens, da contabilidade.
- Caramba, que coragem do Rubens. Mas e o que é que tem? Eles estão fazendo show? Porque tá todo mundo amontoado aqui...
- É aí que tá! Eles estavam transando escondido na sala de Xerox, e o pau do Rubens ficou preso na garganta da Ruth. Ela morreu engasgada com a rola dele! Acredita numa porra dessas?

                Quase desmaiei. Não era possível. Não pode ser coincidência. Eu sou um monstro. Estou matando pessoas desejando a morte delas. Minha pressão caiu. Precisava ir ao banheiro antes que a visão escurecesse completamente. Nem escutei o Juca perguntando se eu estava bem, só deu tempo de chegar ao banheiro e me apoiar na pia. Joguei uma água na cara, rezando pra acordar de um sonho ruim.

Não pode ser. Não é possível. Calma. Calma. Tem que ser outra coincidência. Duas coincidências seguidas. Acontece, não é? Claro que acontece. É estatisticamente difícil, mas é possível. É como o resultado da loteria ser um, dois, três, quatro, cinco e seis. Beira o impossível, mas pode acontecer. Acho que nunca aconteceu, mas pode. Pode, não é?

Vai ver a rola do Rubens era algo dantesco, não sei. Mas tinha que ter uma explicação científica. Até então, eu nunca ouvira história alguma de alguém que morreu engasgado com uma rola. Mas isso não quer dizer que nunca tenha acontecido. Espero. Não! Quer dizer, não espero! Não estava conseguindo nem mais pensar direito. Joguei uma água na cara e um jogo de “inspira/expira”. Após algum tempo, já estava respirando novamente. Dava pra levantar a cabeça. Olhando no espelho, eu estava parecendo um zumbi.

- Puta que me pariu. Eu sou um filho da puta mesmo. – Foi tudo o que eu consegui dizer para o espelho.

                Fomos dispensados. A tensão emocional era enorme, não havia mais condição para trabalhar, pelo menos até o final da semana. Ontem o Marcos, hoje a Ruth. Sem condições. Melhor assim, fui pra casa. Precisava tomar uma cerveja, pensar em outra coisa.

                Acho que fiquei uma hora no banho. Tentei pensar em outra coisa, mas o pesadelo de que tinha sido eu que causei a morte deles não deixou. Mulher. Pensar em mulher é bom. Mulher é bom. Mulher e cerveja, não tem coisa melhor pra esquecer os problemas. Cerveja eu já tenho, preciso de uma mulher. Rápido e sem frescura. Uma boa trepada vai me fazer esquecer toda essa besteira. Eu não matei ninguém. Não gostava deles, mas claro que não fui eu. Que idiotice. Bobagem. Nonsense.

                Conheço um site bom de garotas de programa. É caro, mas vale a pena. Só modelo, coisa fina. Acompanhante de executivo. E agora eu sou executivo, sou gerente. Com salário de estagiário ainda, mas sou gerente poxa. Eu mereço um luxo. Pelo menos hoje. Eu mereço.

                O site mudou. Tá estranho. Umas mulheres mais...”maduras”, por assim dizer.
Espera aí. O que é isso? Eu conheço essa mulher... Não. Não pode ser....


- Mãe? 

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Vida longa e próspera, Nimoy.

Nunca fui um "Trekker". Sempre gostei mais de Star Wars, mas obviamente fui afetado pela cultura de Star Trek - como praticamente o mundo todo, mesmo que este não saiba disso. 

Por isso também fico triste com a morte de Leonard Nimoy hoje, aos 83 anos. O eterno Sr.Spock faz parte da memória viva da Cultura Pop. E devo confessar que mesmo não assistindo muito a série, eu gostava dos filmes. 

Enfim, deixo aqui duas "homenagens" a Nimoy. A primeira, sua brilhante participação no vídeo de Bruno Mars (mesmo que não goste da música, o clipe é sensacional). E a segunda uma montagem sem vergonha de 2011, só pra mostrar que Spock era muito mais legal que o Kirk. 




Sua última mensagem no Twitter: 



Vida Longa e Próspera.

Tudo novo de novo. Ou não.


O Lula.Pro existe desde 1999. E eu não sei ao certo porque. Só sei que eu gosto. Dinheiro nunca me deu, mas trouxe amigos, experiências, e muita coisa legal.

LulaPro2001
(Isso foi em entre 1999 e 2002)

Agora havia chegado o momento de parar, a “hora de dar tchau”. Em tempos de rede social, onde o interessante é ver o que o outro está fazendo, pra que manter um site / blog?
E aí eu pensei: pelo mesmo motivo de antes. Porque é legal, ué. Porque posso escrever toda minha sorte de barbaridades (claro, com todo o cuidado e respeito do mundo. Ou quase), de maneira livre. Te indicar algo porque eu achei realmente legal, e não porque estão me pagando para isso. Falar mal de outro lugar porque achei ruim, e não ficar quieto porque tenho o rabo preso.


LulaPro2004
(Isso foi entre 2002 e 2004)

Mas afinal, quem lê isso aqui? Bem, o principal leitor sou eu mesmo. Eu escrevo pra mim, normalmente pra não esquecer de algumas coisas. Além de mim, claro que parentes e amigos também, por curiosidade (principalmente pra ver o quanto estranho eu sou).
Porém, curiosamente, muita – mas muita gente que eu nunca vi, que eu não conheço, começou a passar por aqui. Alguns (muitos) se tornaram amigos queridos. Outros tantos, inimigos mortais. Discussões em Fóruns, E-mails para o Presidente, Posts que não eram pra ser polêmicos… Tanta coisa, que não dá pra contar aqui, teria que refazer todos os anos deste blog.

LulaPro2005
(Isso foi entre 2005 e 2010) 

Em 99 eu era professor e ia ter que parar de dar aula por um tempo. Então eu criei o site (na época não era um blog) para poder me comunicar com meus alunos. Com o tempo, o site começou a ajudar mais pessoas (praticamente na área de programação) e quase “profissionalizamos” a coisa.
Depois de um tempo nosso foco mudou, e algumas coisas não tinham mais o porque ser. Então, segui a moda dos “blogs”. E o Lula.Pro virou um blog.

LulaPro2014
(Essa foi a última versão que durou até 2014. Faltou a foto do site “Vermelho”, que foi de 2010 até 2012)

Então, as redes sociais venceram. E o Facebook hoje é o “site” e “blog” principal de muita gente. Mas em vez de fechar o Lula.Pro, vou transforma-lo em algo mais pessoal ainda. Ainda preciso anotar coisas pra me lembrar depois (o Facebook ainda não é muito bom pra isso), então vai ser algo como um “Evernote” público.

Porque eu ainda tenho um monte de coisa pra falar. Mesmo que não seja pra ninguém. Ou que seja só pra mim.

Quero aproveitar para agradecer todos que me ajudaram em todos esses anos a manter esse meu "capricho" no ar, colaborando, hospedando, escrevendo, gravando... Enfim, todo mundo ligado ao Lula.Pro de alguma maneira. É muita gente pra agradecer, por isso não vou comentar a injustiça de tentar citar todo mundo, pois foi muita gente. Mas algumas pessoas em especial eu preciso agradecer:

- Em primeiríssimo lugar, meu querido amigo Bruno Roque, da BMR Hosting, que foi onde o Lula.Pro mais ficou hospedado em toda sua história. Passamos por vários provedores, mas aquele que mais deu força, que mais ajudou em todos os momentos, foi sem dúvida o servidor do Bruno;

- Ao meu melhor amigo e mais mágico de todos os Marcelos, Marcelo Mágico. Companheiro desde o primeiro dia de Lula.Pro, sempre com muitas ideias, e compartilhando com o mundo muita da sua bondade e generosidade;

- À equipe de editores do início do Lula.Pro: Bar, Naks, Zezinho, Hammer, Mr. Ming, Trinity, Mikiê, Mágico, CMOD666 e Pôncio Pilatos (mais recente, mas sempre presente);

- Aos amigos que participaram e principalmente meus amigos de bancada do Santo Amaro Connection (#VoltaSantoAmaro): Fabio Camargo, Leon Leoks e Guilherme Afonso;

- A todos os leitores e amigos em todos esses anos de Lula.Pro. Obrigado mesmo. Não sei porque vocês vieram aqui, mas eu realmente gosto de cada um de vocês. Até os que me xingaram (e eu juro que entendo os porquês).

P.S. - Em tempo: Eu tenho muita, mas muita coisa mesmo, guardada de todos esses anos. E aos poucos, o que for mais interessante, vou colocar de volta aqui. Principalmente o que fez relativo "Sucesso", como : "Top 10 Filmes de Serial Killer", "Como responder um e-mail", "Hulk Escuta", "A semana do Presidente", "A Saga de Steve Steven Severeveretz", "Santo Amaro Connection" e tanta coisa boa.