Vi o vídeo e lembrei de uma lendária história dessas, onde aconteceu algo Wander Taffo na rodadinha do clipe “Me dê sua mão” (não é ele aqui):
Me dê sua mão.
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Eu não tenho “heróis”. Nunca tive. O mais próximo disso para mim são meus pais, pessoas verdadeiramente fascinantes as quais tive a sorte de conhecer – mas outro disso falo sobre isso. Heróis, para mim, eram aqueles “superseres”, normalmente de capa, dos gibis. E eu ainda gostava de uns heróis que não eram muito populares, como o Nova, o Rom, o Punhos de Ferro e a Tropa Alfa. Na TV eu pirava com o Homem-Pássaro, os Herculóides e o Galaxy Trio. Até no desenho do SuperAmigos eu gostava mais daqueles que apareciam pouco, como o Chefe-Apache, Vulcão Negro (era esse o nome mesmo?) ou aquele japonês que eu não lembro o nome, nem qual era o poder dele. Só no cinema fui mais ortodoxo, pois afinal o Super-Homem era o Christopher Reeve.
Cosplay semi bizarro da Tropa Alfa.E eu ainda acho que o Pigmeu aí é maior que o Guardião.
Quando comecei a tocar guitarra, me empurraram vários “heróis”. Admirava o trabalho destes outros guitarristas, mas normalmente não gostava do “life style” deles. Podiam ser uma referência, mas não eram “heróis”. Acho legal as pessoas que tem – por exemplo – o Ayrton Senna como um “líder”, um “ícone”, um “herói”. Só discordo quando dizem que ele foi um “herói brasileiro”, pois meu herói ele não foi. Aliás nem ele e nem nenhum time que ganhou a copa, ou alguma atleta que trouxe medalha para o Brasil. Isto é resultado do trabalho do homem – mérito aos envolvidos, não para o Brasil. Não para mim.
Por não ter religião, também não tenho um “líder” espiritual, alguém cuja doutrina me “inspira e guia meus passos”. Novamente, não estou criticando quem tem, só não funciona assim para mim. Para mim funciona o desenvolvimento pessoal. O fato de você ter vindo do “nada” e construir todos os dias quem você é hoje. Como diz o Cortella, você não nasceu pronto. Você veio “se fazendo”. Quem nasce pronto é sapato, geladeira, fogão. E isso eu admiro – as batalhas que levaram as pessoas a serem o que são hoje. E quando digo batalhas não estou insinuando que se tenha vencido todas, pelo contrário. É bem possível que a maioria tenham sido perdidas, e este é um importante momento para a pessoa, pois é aí que ela vai decidir um caminho: desistir, tentar de novo, se deixar abater, reclamar, falar mal… o que seja, mas o caráter da pessoa está sendo formado durante este processo.
A mídia apresenta muitos “heróis”, “líderes” e exemplos que julga que são exemplos a serem seguidos. Em muitos casos isto é verdade, mas em muitos outros não – o que são infelizmente a maioria. Mas tem gente que compra. Que acha que é legal mesmo, e parafraseia idiotas, cita imbecis, vulgariza a palavra “gênio” para qualquer um. E muitas – para não dizer todas as – vezes tem amigos e conhecidos por perto muito mais inteligentes, muito mais interessantes do que aquele que foi te empurrado pela mídia.
Muitos dos meus amigos são brilhantes. Aprendo muitas coisas com cada um deles, muitas mesmo. Por isso, toda vez que posso, insisto em dizer que sou fã, que admiro, que sou agradecido. Tenho o privilégio em alguns de ver suas batalhas, e em alguns casos no simples exercício do viver. Todos eles sem a ambição de se tornarem famosos, conhecidos, admirados. Eles simplesmente fazem, e fazem bem. São ótimos contadores de história, conselheiros, compositores, humoristas, músicos, escritores, pensadores, atores…
Aliás, nunca ri tanto na vida em um filme ou uma peça, quanto eu dou risada com meus amigos – pra citar um exemplo simples. Por estes e outros motivos digo: sou fã dos meus amigos. E se você é um deles que está lendo isso aqui, saiba (ou relembre): te admiro. Cada segundo da sua batalha, da sua vida, que te tornou esta pessoa que tenho o privilégio de chamar de amigo. Cada risada que partilhamos, cada história, cada conselho, cada momento que a gente partilhou faz uma parte muito importante da minha vida. Você me inspira, você me faz ser uma pessoa melhor.
Se eu posso ter a petulância de dar um conselho – sim, eu sei que os bons conselhos não se dão, se vende, mas perderia a poética do texto se eu cobrasse agora – é “valorize seus amigos”. Valorizar não significa falar o que ele quer ouvir, aprovar tudo que ele faz. Isto não é amizade, isto é puxa-saco. Valorizar é lembrar o quanto este amigo vale para você. Saber de tudo que ele já te faz, e tudo o que você faria por ele. É ser verdadeiro, ter a amizade por querer tê-la, e não por outros interesses que não sejam descobrir todo o universo particular de alguém, e aprender algo com isso.
Eu estava procurando uma imagem legal pra colocar no post, mas só acho aquelas imagens meigas e edificantes que pessoas que não são tão amigas assim mandam em “Power Points” de mau gosto. Então coloquei essa foto do Cosplay da Tropa Alfa, só pra estragar tudo.
Os perigos de dirigir sozinho, à noite e na chuva.
Nossa. Nossa.
Tem mais coisa no nosso canal do Vimeo. Não que seja coisa boa, mas tem.